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Figuras da BD2J: Lúcio Lopes Junior e a partida para a Guerra

No decorrer das próximas semanas perpetua-se a memória. Apresentamos momentos, eventos e histórias que marcaram o percurso de vida da BD2J. Grande parte destes podem encontrar no livro da associação Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro por Rui Aleixo.

O Valente Soldado Lúcio Lopes Junior

“Ninguém ignora que a Alemanha declarou guerra a Portugal, e que o Governo da República, interpretando nobremente o sentir do Povo, aceitou o desafio.

[…]

Para a guerra, para terras de França, partiram também os filhos de Aldegalega, e para o esforço de guerra deu a Banda Democrática o seu contributo participando activamente na Junta Patriótica de Aldegalega, criada com a missão de recolher donativos e dar auxílio às famílias dos soldados mobilizados, e organizando ela própria bandos precatórios, cujo fim era angariar donativos para que aos soldados, que partiam para os campos de batalha, não faltassem os indispensáveis confortos. Para a guerra partiu também a franzina figura de Lúcio Lopes Júnior, 1,58m de altura, que viria a ser um dos heróis esquecidos da Batalha
do Lys.

«Eram 4H15 do dia 9 de abril (1918) –noite ainda– quando, subitamente, uma violentíssima chuva de granadas de todos os calibres inundou todo o sector Português(…). Por força dos bombardeamentos e das missões, as unidades foram
obrigadas a fraccionar-se; muitas dessas fracções, na marcha para os seus destinos, alguns a grande distância, avançando através de um nevoeiro que os cegava, constantemente fustigados pela metralha e perseguidos pelos gases, com mortos e feridos, acabaram, exaustos, por instalar-se onde conseguiram chegar, e aí cumpriram, como lhes foi possível, o seu dever(…). Apesar do abatimento físico e moral em que se encontravam, apesar do seu reduzidíssimo efectivo em praças e oficiais, a Infantaria (…) levou a defesa das trincheiras até onde era humanamente possível(..)». Entre esses homens encontrava-se o ordenança ciclista, o aldeano
e sócio da Banda Democrática 2 de Janeiro, Lúcio Lopes Júnior, que se bateu até ao limite das suas forças, e acabou feito prisioneiro pelas tropas alemãs.
Quando, em Aldegalega se soube que, no dia 11 de novembro de 1918, se tinha assinado o armistício entre as Forças Aliadas e a Alemanha, logo a Banda Democrática «saiu à rua com muito povo» para vitoriarem a queda do «Despotismo e da Tirania», como titulou o jornal “O Domingo”. Porém, com o rolar dos dias, à alegria sobrepôs-se a preocupação porque durante dois anos, ninguém soube
dizer da sorte do soldado Lúcio. As notícias eram desencontradas. Presumiram-no morto. Mas, no dia 4 de janeiro de 1919, pelas 22H00, na estação ferroviária do Pinhal Novo, um grito emocionado – “Eh! Lúcio” – proferido em uníssono pelo grupo de consócios da sua Banda Democrática, que o aguardavam, anunciava o regresso do soldado à sua terra natal.
A Banda recebeu com júbilo o «primeiro prisioneiro de guerra nosso patrício» e, no dia 23 de fevereiro, homenageou-o com um jantar servido pelo Hotel República, que foi animado pela actuação da filarmónica, a que se seguiu uma sessão solene e encerrou-se com um baile «que decorreu animadíssimo, dançando-se até de madrugada».
A direcção aproveitou o ensejo para descerrar «o retrato de Lúcio Lopes Júnior, com o seu fardamento de campanha de 1º Cabo Ciclista de Infantaria nº 2», enaltecendo o homenageado: «como cidadão (é) um exemplo de honestidade, de trabalho e de bondade, conjunto de qualidades que o acompanha e faz que a sua pessoa seja querida em todos os meios».
Lúcio Lopes Júnior nasceu em Aldegalega do Ribatejo, no dia 12 de novembro de 1893, e veio a falecer no Montijo em 4 de março de 1981. Funileiro por devoção e funcionário público por profissão, foi uma figura exponencial da Banda Democrática, pelos vários papéis que desempenhou na vida da instituição, nomeadamente nos grupos de teatro, na comissão pró-sede e na direcção, que chegou a presidir entre 1941/3.33 Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro.
Como reconheceu o jornal “Gazeta do Sul”, Lúcio Lopes Júnior foi «um democrata convicto, (uma) figura geralmente estimada e considerada, quer pelos seus dotes de bom trato quer pelo seu valor social».”.

 

In Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro por Rui Aleixo 

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