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A Sede II/II

No decorrer das próximas semanas perpetua-se a memória. Apresentamos momentos, eventos e histórias que marcaram o percurso de vida da BD2J. Grande parte destes podem encontrar no livro da associação Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro por Rui Aleixo.

“«Momento de euforia para esta simpática e popular Banda [Democrática 2 de Janeiro], foi o da passada quinta-feira, 6 do corrente, com a assinatura do contrato que lhe deu a posse definitiva, como sua propriedade, da futura Sede, instalada na principal artéria da nossa vila. Estralejaram foguetes, o contentamento espelhava-se em todos os rostos dos seus amigos e associados, porque iam enfim ver satisfeitos os seus desejos de há anos e que a sua massa associativa, gente humilde, tanto necessitava para comodidade e diversão após horas de labuta da sua vida quotidiana!», lia-se no jornal “A PROVÍNCIA”, de 13 de outubro de 1955.

Foi um correr contra o tempo. Encetaram-se campanhas para angariar fundos, congregaram-se esforços para conferir dignidade à nova sede e, no dia 17 de junho de 1956, a Banda Democrática 2 de Janeiro chegava ao fim da marcha encetada, em 1928, por Joaquim Serra e Amadeu de Moura Stoffel. «Foi dia grande, o de domingo, dia 17 do corrente, para a Banda Democrática 2 de Janeiro. Colectividade essencialmente popular, a sua massa associativa vibrou intensamente em maré alta de entusiasmo, com a inauguração do seu edifício próprio, situado na mais importante artéria da vila(…). Embora modestas, e com vista a uma futura remodelação, nas instalações que visitámos estão cuidadas e inteligentemente distribuídas
as várias secções, destacando-se o cuidado que a Comissão teve em atribuir à Biblioteca a melhor sala do edifício. De notar, a inovação, em colectividades locais, de um café-bar, bastante espaçoso e bem situado, onde os sócios podem entreter os seus momentos de ócio em amena conversa.

A esplanada para bailes e festas está bem arranjada e é ampla bastante para comportar a enorme massa associativa da colectividade». Assim noticiou a “Gazeta do Sul” o acontecimento, na sua edição de 24 de junho de 1956. Contudo, o jornal omitiu o incidente que marcou a cerimónia: a ausência de qualquer representante da Câmara Municipal do Montijo. A notícia de falta tão grave terá sido vítima do lápis azul da censura. O caso foi melindroso, pois a Banda Democrática, retintamente popular, continuava a ser vista com desconfiança pelo Estado Novo e os democráticos sentiram-se afrontados na sua dignidade com o que tomaram por tamanha desconsideração. Os jornais também não divulgaram que, no dia seguinte, o presidente da Câmara Municipal, José da Silva Leite, acompanhado pelo vice-presidente, António João Serra Júnior e pelo secretário José Maria Mendes da Costa, se dirigiu à sede da Banda Democrática para «pessoalmente apresentar as sua desculpas pelo facto de a Exma. Câmara não ter podido fazer representar-se na solene inauguração da nossa Nova Sede».

Quer por razões políticas, José da Silva Leite foi um político hábil, quer por razões de mera cortesia, pois foi um acrisolado bairrista, ou por ambas as razões, o presidente da câmara fez questão em entregar uma carta em que explicava as razões da ausência da Câmara Municipal e reconhecia que «o facto por ser estranho mereceu referências pouco lisonjeiras, mas plenamente justificadas que inevitavelmente se reflectiram na vossa prestante massa associativa», e que poderia ser interpretado como prova de menos consideração pela colectividade, que, garantia, não correspondia à verdade. José da Silva Leite aproveitou a missiva para manifestar o seu mais profundo desgosto e lamentar o sucedido, assegurando à direcção da Banda «a lealdade e isenção em que procurei corresponder ao vosso convite e apresentar-lhes as mais calorosas felicitações pelo notável melhoramento agora inaugurado que dignifica a Banda Democrática 2 de Janeiro e o Montijo». A sede compõe-se, hoje, de rés-do-chão, com um amplo café e sanitários; 1º andar com várias salas destinadas a actividades sociais, biblioteca e um salão nobre e logradouro onde se construiu uma discoteca, um ginásio e sanitários. O sótão está reservado ao arquivo. Enquanto o homem sonhar e quiser transformar o seu querer em poder pela força da razão e da determinação, que o fazem alcançar sempre mais além, nenhuma obra estará terminada. Assim acontece também com a sede da colectividade, que é uma obra mutante e interminável. Constróise e modifica-se à medida das capacidades financeiras e da inspiração e vontade dos seus sócios e dos seus corpos dirigentes, que personificam o perfil dos tempos e os interesses das gerações. E a prova disso é o moderno pavilhão desportivo, que a Banda Democrática inaugurou no dia 2 de junho de 2001. Em 1964, a direcção deliberou pedir um empréstimo de cem mil escudos à Caixa Geral de Depósitos «para se proceder à cobertura da esplanada», mas, só muitos anos depois a ideia foi retomada e concretizada como recorda o actual presidente da direcção, Teodomiro de Sousa: «Em 1980, com a transferência de quatro equipas de basquetebol e dos seus treinadores do Clube Desportivo do Montijo para a Banda, sonhámos, uma vez criada a secção de basquetebol, fazer um pavilhão desportivo, cobrindo o ringue então existente, e ainda construir uma piscina, aproveitando a elevação do piso do referido pavilhão. Porém, cedo verificámos não ser isso possível, mas sim, apenas, a cobertura do ringue. Contactámos uma firma especializada mas, assinado o contrato de construção, por falência daquela não foi possível concretizar o sonho. Decorreram vinte anos, em que na nossa mente essa ideia sempre permaneceu. Finalmente, no dia 2 de junho de 2001, com a presença do senhor Sub-Secretário de Estado do Ordenamento e da Excelentíssima Senhora Drª Maria Amélia Antunes, presidente da Câmara Municipal do Montijo, foi concretizado o sonho. Esta realidade só foi possível graças ao concurso de fundos comunitários, cerca de 60.000 Eur., ao apoio da Câmara Municipal do Montijo, que concedeu um subsídio de 10.000 Eur. e ao contributo da Junta de Freguesia do Montijo, que pagou 6.000 Eur. pela instalação da iluminação do pavilhão. O pavilhão desportivo custou cerca de 125.000 Eur». Tudo começou, em 1914, no sótão do palacete de Izidoro Maria Oliveira, sede do Centro Republicano Democrático e da Banda Democrática…”

 

In Aspectos da Vida da Banda Democrática 2 de Janeiro por Rui Aleixo 

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